Dr. Guilherme MouraCardiologista | Ecocardiografista
Forame oval patenteMaterial de estudo · não publicar

Material de estudo pessoal · Dr. Guilherme Moura · Resumo com palavras próprias de dois capítulos do UpToDate (não publicar)

Forame oval patente – do diagnóstico ao fechamento

Roteiro de estudo sobre o forame oval patente (FOP): o que é, quando procurar, como diagnosticar com ecocardiograma e Doppler transcraniano, como decidir se o FOP explica um AVC (RoPE e PASCAL), quem se beneficia do fechamento percutâneo, o que mostram os ensaios e como conduzir antitrombóticos, recorrência e situações especiais.

Fontes
UpToDate · 2 capítulos
Seções
10
Recomend.
5
Casos
50
Flashcards
50
Calculadoras
1

Fontes (PDFs nesta pasta): Hara H, Ammash NM. Patent foramen ovale. UpToDate, atualizado em 12/08/2025 — abrir PDF. Messé SR. Stroke associated with patent foramen ovale (PFO): Management. UpToDate, atualizado em 08/01/2026 — abrir PDF (o arquivo está com o nome “PREVENT-FAQs-FINAL.pdf”).

📄 Sobre este material

Resumo de estudo, escrito com palavras próprias, dos capítulos do UpToDate sobre o FOP (anatomia, complicações e diagnóstico) e sobre o manejo do AVC associado ao FOP. Não é transcrição: textos, tabelas e figuras originais estão nos PDFs — cada seção indica a página para conferir. Casos clínicos, flashcards, calculadora e fluxograma foram criados para o estudo a partir desse conteúdo.

⚠️ Uso pessoal

Material de estudo, não destinado à publicação: o conteúdo do UpToDate é protegido por direitos autorais. Não substitui o texto original nem o julgamento clínico. Onde o resumo acrescenta leitura própria, isso aparece como 🎓 Interpretação didática.

🧠 Como ler esta página

Graduação do UpToDate — cor da barra lateral das recomendações:

Grau 1 recomendação forte (“recomendamos”): benefício claramente maior que o risco Grau 2 recomendação fraca (“sugerimos”): depende do paciente, dos valores e das preferências Contra sugestão contrária ao uso

Qualidade da evidência: A alta · B moderada · C baixa.

Três camadas separadas: Recomendação do capítulo (parafraseada, com o grau) · 📖 Resumo (síntese fiel, com palavras próprias) · 🎓 Interpretação didática. Siglas com sublinhado pontilhado mostram o significado ao tocar.

1O que é o FOP: prevalência e fisiopatologia

O FOP é um resquício da circulação fetal presente em cerca de um quarto da população adulta. Quase sempre é silencioso; sua importância está em permitir a passagem de êmbolos da circulação venosa para a arterial.

📖 Resumo — prevalência
  • Presente em 25–30% da população: 27% numa série de autópsia de 965 corações normais e 26% num estudo comunitário com ETE em 581 pessoas com ≥ 45 anos.
  • Na autópsia, a prevalência cai com a idade (34% até 30 anos, 25% entre 30 e 80, 20% acima de 80), enquanto o tamanho médio aumenta (3,4 mm na infância até 5,8 mm após os 90 anos) — provavelmente porque os pequenos se fecham e os maiores persistem. No estudo comunitário com ETE, porém, a prevalência ficou estável com a idade.
  • É mais frequente no AVC criptogênico, sobretudo abaixo dos 55 anos, faixa em que cerca de 40% dos AVC isquêmicos não têm causa definida. No PFO-ASA (581 pacientes, idade média 42), 37% tinham FOP isolado e 9% FOP com aneurisma do septo atrial; numa série mais velha (idade média 59), 39% tinham FOP. FOP grande foi mais comum no AVC criptogênico que no AVC de causa conhecida (20% vs 9,7%).
📖 Resumo — por que o FOP causa problema
  • O FOP funciona como uma válvula: abre quando a pressão do átrio direito supera a do esquerdo, permitindo embolia paradoxal (do sistema venoso para o arterial).
  • Não é preciso shunt direita→esquerda permanente: um gradiente transitório basta. Ele ocorre normalmente no início da sístole ventricular e ao soltar uma manobra de Valsalva (evacuar, tossir, levantar peso).
  • Num estudo com ETE, 57% dos portadores de FOP tinham shunt direita→esquerda em repouso e 92% com esforço ou tosse.
  • Um FOP “esticado” pode se comportar como uma CIA em crescente: 1,7% (13 de 771) dos pacientes de uma série de fechamento de CIA, mais comum em idosos.
🎓 Interpretação didática

Duas ideias guiam o resto do material: (1) o FOP é comum — achá-lo não prova que ele causou nada; (2) o mecanismo é dinâmico — por isso o exame precisa de manobras (tosse, Valsalva) para não perder o shunt.

Fonte: UpToDate “Patent foramen ovale”, seção Prevalence and pathophysiology — PDF p. 1–2.

2Embriologia: por que o forame existe e por que não fecha

Na vida fetal o forame oval é indispensável; ao nascer, a queda da pressão direita e o aumento do retorno pulmonar empurram o flap contra o septo, e na maioria das crianças ele se funde.

📖 Resumo — formação do septo atrial
  1. A partir da 4ª semana, o septo primum cresce do teto atrial em direção aos coxins endocárdicos; o espaço que resta é o forame primum.
  2. Antes de o forame primum fechar, surgem perfurações no septo primum que se unem e formam o forame secundum.
  3. À direita do septo primum cresce o septo secundum, que cobre parcialmente o forame secundum. A abertura que fica entre os dois é o forame oval; o septo primum restante vira uma válvula (flap) sobre ele.
  4. No feto, o sangue oxigenado da veia cava inferior atravessa o forame para o lado esquerdo; o da cava superior segue majoritariamente pela tricúspide.
  5. Ao nascer: os pulmões se expandem, a resistência vascular pulmonar e a pressão direita caem, e o retorno pulmonar eleva a pressão do AE — o flap encosta no septo secundum.

A fusão está completa até os 2 anos em 70–75% das crianças; os 25–30% restantes ficam com FOP. A causa da não fusão é desconhecida; há sinal de componente familiar: num estudo, irmãs de portadores tinham FOP em 77% vs 25% (OR 9,8), sem associação entre irmãos homens.

Fonte: UpToDate “Patent foramen ovale”, seção Embryology e Figura 1 — PDF p. 3 (figura na p. 13).

3Estruturas associadas: aneurisma do septo, Eustáquio, Chiari, CIA e Ebstein

O FOP raramente vem sozinho do ponto de vista anatômico. Algumas estruturas associadas aumentam o fluxo pelo forame e, com isso, o risco de embolia paradoxal.

Quadro de estudo – Estruturas associadas ao FOP e por que importam
EstruturaO que éPor que importa
Aneurisma do septo atrial (ASA)Tecido redundante e móvel na fossa oval, com excursão fásica de pelo menos 10–15 mm no ciclo cardiorrespiratório.Frequentemente associado a FOP e/ou CIA; é um dos achados ecocardiográficos de alto risco usados no PASCAL.
Valva de Eustáquio proeminentePrega na junção da veia cava inferior com o AD.Pode manter o padrão fetal de fluxo, direcionando o sangue da cava inferior para o septo.
Rede de ChiariRede fenestrada de filamentos no AD, originada perto das valvas de Eustáquio e de Tebésio; presente em 2–3% dos corações normais.Associada a FOP com shunt grande e a AVC criptogênico; pode ficar presa no dispositivo durante o fechamento.
Comunicação interatrial (CIA)Defeito verdadeiro do septo; pode coexistir com o FOP ou ser um FOP “esticado”.Muda a estratégia de fechamento (número e tipo de dispositivos, ou cirurgia).
Anomalia de EbsteinMalformação da tricúspide.A maioria tem defeito do septo interatrial (79% numa série de 106 pacientes).

Quadro de estudo montado a partir do texto (não reproduz tabela do UpToDate).

📖 Resumo — números que caem
  • Em 1.436 ETE consecutivos, a rede de Chiari apareceu em 2%: 83% tinham FOP e 24% ASA; o ETT detectou só 8 de 29. FOP com shunt grande foi bem mais frequente com Chiari (55% vs 12%), e a rede foi mais comum entre os examinados por AVC criptogênico (4,6% vs 0,5%).
  • Em pacientes que fizeram fechamento de FOP, valva de Eustáquio ou rede de Chiari se associaram a eventos embólicos recorrentes.
  • Em 103 pacientes encaminhados para fechamento por suposta embolia paradoxal: 81 tinham só FOP, 12 só CIA e 10 ambos.
  • Eustáquio e Chiari também favorecem a ortodeoxia (desaturação ao ficar em pé ou caminhar) por direcionarem o fluxo da cava inferior ao septo.

Fonte: UpToDate “Patent foramen ovale”, seção Association with other defects — PDF p. 3–5.

4Complicações e manifestações clínicas

A maioria dos portadores nunca terá sintoma. A complicação mais importante é o AVC isquêmico por embolia paradoxal; há outras, menos frequentes, que valem pelo raciocínio.

📖 Resumo — AVC criptogênico e “AVC associado ao FOP”
  • AVC criptogênico = 20–40% dos AVC isquêmicos: sem fonte cardioembólica ou de grande artéria identificada e com distribuição que não sugere doença de pequenos vasos; a maioria tem aspecto embólico na imagem.
  • Fala-se em AVC associado ao FOP quando há infarto de aparência embólica, FOP com shunt direita→esquerda e nenhuma outra fonte nem fator de risco após investigação completa.
Quadro de estudo – Outras manifestações associadas ao FOP
SituaçãoPonto-chaveConduta resumida
Platipneia-ortodeoxiaDispneia e dessaturação em pé, melhorando deitado. Exige (1) um shunt — FOP, CIA, ASA fenestrado ou shunt intrapulmonar (síndrome hepatopulmonar, MAV pulmonar) — e (2) um componente funcional que aumente o shunt na posição ortostática (deformidade do septo ou do AD que direciona o fluxo da cava inferior). Também descrita com derrame pericárdico, constrição, enfisema, toxicidade por amiodarona, pneumectomia e cirrose.Fechar o shunt é o tratamento definitivo; atenção para não prender valva de Eustáquio grande ou rede de Chiari no dispositivo.
Doença descompressiva / embolia gasosaEm mergulhadores, bolhas podem cruzar o FOP; risco maior com FOP grande e com voo 12–48 h após o mergulho. O FOP também permite embolia gasosa paradoxal de outras causas.Manejo da embolia gasosa e da doença descompressiva segue os capítulos próprios.
EnxaquecaAssociação descrita entre enxaqueca/cefaleia vascular e shunt direita→esquerda.Não se recomenda rastrear FOP de rotina em quem tem enxaqueca.
OutrasIAM por embolia paradoxal, embolia sistêmica (ex.: infarto renal), embolia gordurosa, tumores de AD que elevam a pressão direita (embolia tumoral) e acometimento valvar esquerdo na síndrome carcinoide.Raciocínio: lembrar do FOP diante de embolia arterial sem fonte esquerda.

Quadro de estudo montado a partir do texto.

Fonte: UpToDate “Patent foramen ovale”, seções Complications e Management — PDF p. 5–7 e 10–11.

5Diagnóstico: quando procurar e qual exame

Procura-se FOP em quem teve AVC ou outro evento embólico sem causa definida e em quem tem manifestações sugestivas, como platipneia-ortodeoxia. Todos os métodos de ultrassom detectam o shunt com solução salina agitada (“teste de microbolhas”); só ETE e eco intracardíaco mostram onde ele está.

Quadro de estudo – Métodos para detectar FOP
MétodoVantagensLimitações
ETT com microbolhas (harmônica)Não invasivo, sem sedação; com boa janela pode ter sensibilidade igual ou maior que a do ETE.Depende da qualidade da imagem; não define bem a anatomia do septo.
ETE com microbolhas (repouso, tosse e após Valsalva)Considerado o exame mais definitivo: mostra o flap, o local do shunt, ASA e outras fontes (trombo, vegetação, massa, placa de aorta).Sensibilidade muito variável (11–85% nos estudos): sob sedação o Valsalva é ineficaz (a sonda atrapalha o fechamento da glote) e o jejum reduz a pressão do AD.
Doppler transcranianoNão invasivo, à beira do leito; sensibilidade e especificidade comparáveis às do ETE para shunt direita→esquerda.Detecta o shunt, mas não o localiza nem avalia o coração e a aorta.
Eco intracardíacoVisualiza o flap e a passagem das bolhas; usado também para guiar o fechamento.Invasivo.
TC multidetectores e RM cardíacaPodem mostrar o FOP.Dados preliminares; provavelmente menos sensíveis que o ETE.

Quadro de estudo montado a partir do texto. Doppler transmitral também é citado como método.

Sugestão do capítulo – Por onde começar
Sugestãosem grauUpToDate

Na suspeita de AVC criptogênico ou outra indicação, começar pelo ETT com microbolhas e fazer ETE se o ETT for negativo ou não diagnóstico.

📖 Resumo — como fazer e ler o teste de microbolhas
  • Manobras: injetar em repouso, com tosse e ao soltar o Valsalva — o enchimento do AD com sangue do abdome abre o forame. Pedir para encher um balão durante a injeção pode ajudar no ETE.
  • Local da injeção: veia femoral é mais sensível que a braquial.
  • Positivo: pelo menos 3 bolhas no coração esquerdo.
  • Momento: bolhas no lado esquerdo até 3 batimentos após opacificar o AD sugerem shunt intracardíaco (FOP/CIA); aparecimento tardio (após 3–5 batimentos) sugere shunt pulmonar (MAV). A regra tem base limitada e exceções.
  • ETE negativo com suspeita alta: repetir ETT sem sedação com microbolhas.
  • Gravação: o capítulo sugere revisar o estudo em registro analógico, porque a compressão digital pode reduzir a sensibilidade.
  • Segurança: eventos isquêmicos cerebrais pelas bolhas são raros. Medidas sugeridas: agitar bem (bolhas pequenas), manter a seringa na vertical para reter bolhas grandes e não repetir injeções depois de documentar shunt grande.
📖 Resumo — achou FOP: e agora?

Achar FOP num paciente com evento isquêmico não prova causalidade: por ser comum, ele pode ser um “espectador inocente”. A investigação deve buscar outras causas de AVC e também uma fonte venosa (TVP), que reforça o mecanismo paradoxal e muda o tratamento. O FOP achado por acaso, sem evento, em geral não exige seguimento nem tratamento.

Fonte: UpToDate “Patent foramen ovale”, seção Diagnosis and evaluation e resumo — PDF p. 7–12.

6O FOP explica o AVC? RoPE, PASCAL e decisão

Como o FOP é comum e o risco de AVC por ele é baixo, sempre resta incerteza sobre a causalidade. O RoPE avalia o paciente; o PASCAL junta o RoPE com as características do FOP e diz quão provável é que o FOP tenha causado o AVC. Mais abaixo estão, em sequência, a tabela, a calculadora, o algoritmo e o fluxograma de decisão.

📖 Resumo — escore RoPE (Risk of Paradoxical Embolism)

Soma de 0 a 10 pontos; quanto maior, mais provável que o FOP seja a causa (e não um achado incidental):

  • 1 ponto para cada: sem hipertensão; sem diabetes; sem AVC/AIT prévio; não tabagista; infarto cortical na imagem.
  • Idade: 18–29 anos = 5; 30–39 = 4; 40–49 = 3; 50–59 = 2; 60–69 = 1; ≥ 70 = 0.

Escore de Kent et al. (Neurology 2013). Tabela original no PDF do capítulo de manejo, p. 19.

PASCAL em 3 passos

📖 Resumo — o que é o PASCAL

O PASCAL (PFO-Associated Stroke Causal Likelihood) responde a uma pergunta só: qual a chance de este AVC ter sido causado pelo FOP? Ele cruza duas informações:

  • O paciente — pelo RoPE: baixo (0–6) ou alto (7–10). Quanto mais jovem e sem fatores de risco vasculares, menos provável que exista outra explicação para o AVC.
  • O FOP — pela fonte de risco: FOP com shunt pequeno e sem ASA (baixa); FOP com ASA ou shunt grande (média); isso mais TVP/TEP concomitante antes do infarto (alta); trombo atravessando o FOP (muito alta).
  1. Calcule o RoPE (0 a 10): idade + 1 ponto para cada item favorável (sem hipertensão, sem diabetes, sem AVC/AIT prévio, não tabagista, infarto cortical). Anote se é baixo (0–6) ou alto (7–10).
  2. Classifique a fonte de risco do FOP pelo eco e pela investigação venosa: baixa, média, alta ou muito alta.
  3. Cruze os dois na tabela: improvável, possível, provável, altamente provável ou definida.

Ferramentas de decisão

Classificação PASCAL – Fonte de risco do FOP × escore RoPE
Fonte de riscoCaracterísticas do FOPRoPE baixo (0–6)RoPE alto (7–10)
Muito altaFOP com trombo atravessando-o DefinidaDefinida
AltaTVP ou TEP concomitante, antes do infarto, + FOP com ASA ou com shunt grande ProvávelAltamente provável
MédiaFOP com ASA ou FOP com shunt grande PossívelProvável
BaixaFOP com shunt pequeno e sem ASA ImprovávelPossível

Conduta (capítulo de manejo): improvável → não fechar (sugestão contra · Grau 2C); possível, provável, altamente provável ou definida → fechamento percutâneo + antiplaquetário se ≤ 60 anos, infarto embólico, nenhuma outra causa e sem indicação de anticoagulação (sugestão · Grau 2B). Com TVP/TEP há indicação de anticoagulação: siga o algoritmo abaixo.

Benefício do fechamento (meta-análise de 2021, versão simplificada do PASCAL em 3 categorias): improvável HR 1,14 (sem benefício) · possível HR 0,38 · provável HR 0,10. Quanto menor o HR, maior o benefício.

Tabela redesenhada em português a partir da imagem da classificação PASCAL (Elgendy et al., 2020) que você enviou; ela não está entre os dois PDFs.

🧮 Calculadora RoPE + PASCAL — preencha os passos 1 e 2

O resultado mostra a conta, a classificação e a célula correspondente na tabela acima.

Passo 1 — RoPE: idade
Passo 1 — RoPE: marque o que se aplica
Passo 2 — Características do FOP (fonte de risco)
Escolha a idade, marque os itens e a característica do FOP.

No celular, arraste o algoritmo para o lado para ver tudo.

Algoritmo de manejo do AVC isquêmico embólico com FOP e sem outra causa Primeiro pergunta-se se há TVP, TEP ou outra indicação de anticoagulação. Se sim e por mais de 1 ano, na maioria não se fecha o FOP. Se por até 1 ano, adia-se o fechamento e, ao terminar a anticoagulação, segue-se para a pergunta seguinte. Se não há indicação, aplica-se RoPE e PASCAL: AVC associado ao FOP improvável leva a não fechar e tratar como AVC criptogênico; possível, provável ou definido leva à pergunta da idade: até 60 anos, fechamento percutâneo; acima de 60, na maioria não se fecha. Sim Não > 1 ano ≤ 1 ano ao terminar a anticoagulação possível, provável ou definido improvável ≤ 60 anos > 60 anos Há TVP, TEP ou outra indicação concomitante de anticoagulação? Por quanto tempo a anticoagulação deve durar? Qual a probabilidade de AVC associado ao FOP? Aplicar o RoPE e a classificação PASCAL Qual a idade? Na maioria, o FOP não é fechado * Adiar o fechamento durante a anticoagulação Fechamento percutâneo do FOP ¶ Δ Na maioria, o FOP não é fechado ◊ Não fechar; tratar como AVC criptogênico §
Algoritmo – AVC isquêmico recente de aparência embólica, com FOP e sem outra causa identificada: fechar ou não o FOPRedesenhado em português a partir do Algoritmo 1 do capítulo de manejo (PDF p. 20–21). Use o fluxograma interativo abaixo para percorrer os passos.

Vale para todos: prevenção secundária completa — antitrombótico, controle da pressão, redução do LDL e mudanças no estilo de vida.

* Anticoagulação por mais de 1 ano: o benefício do fechamento é incerto. Pode ser opção em casos selecionados — AVC recorrente sem outra causa mesmo bem anticoagulado, ou quem deixou de anticoagular —, com decisão individualizada.

Após o fechamento (percutâneo ou cirúrgico): antiplaquetário — AAS 75–81 mg/dia + clopidogrel 75 mg/dia por 3 meses e depois AAS.

Δ Indicação concomitante de cirurgia valvar: fechamento cirúrgico do FOP no mesmo ato. Se o fechamento percutâneo não for viável e não houver indicação de cirurgia cardíaca, não fazer fechamento cirúrgico.

◊ Acima de 60 anos o benefício não foi demonstrado (faixa excluída dos ensaios). Pode ser considerado em selecionados — mais perto dos 60 e com baixo risco cardiovascular aterosclerótico —, com decisão individualizada.

§ Conduta do AVC criptogênico (capítulo próprio do UpToDate, fora destes PDFs).

🧭 Fluxograma interativo — AVC embólico com FOP e sem outra causa: fechar ou não?
🎓 Interpretação didática — como ler a tabela

Cada eixo é uma “metade da prova”. O RoPE alto diz que não sobra outra explicação; a fonte de risco diz que este FOP consegue embolizar — e TVP/TEP ou um trombo visto atravessando o forame reforçam muito o mecanismo. Com as duas metades fortes, a causalidade sobe para provável ou mais; com nenhuma, é improvável e o FOP é, provavelmente, só um achado.

“Shunt grande” é um conceito do ecocardiograma com microbolhas; a contagem exata de bolhas que o define varia entre os estudos e não aparece nestes PDFs.

📖 Resumo — por que o PASCAL importa

Na meta-análise de dados individuais de 2021 (6 ECR, 3.740 pacientes, seguimento mediano de 57 meses), o fechamento reduziu o AVC anual de 1,09% para 0,47% (HR 0,41). O ganho dependeu da causalidade:

  • Pelo RoPE: alto, HR 0,21; baixo, HR 0,61.
  • Pelo PASCAL: provável, HR 0,10; possível, HR 0,38; improvável, HR 1,14 (sem benefício).

Ou seja, o PASCAL separa melhor quem ganha com o fechamento. Além disso, o risco de FA após o fechamento é inversamente proporcional à confiança de que o FOP causou o AVC — quem tem menos a ganhar também tem mais FA.

🎓 Interpretação didática

Pense no RoPE como “quanto este paciente não tem outra explicação para o AVC” e nos achados de alto risco como “quanto este FOP é capaz de embolizar”. O PASCAL junta as duas perguntas.

Fonte: UpToDate “Stroke associated with PFO: Management”, seções Role of RoPE and PASCAL e Meta-analyses; Tabela 1 — PDF p. 2, 6–7, 19 e 20–21.

7Quem deve fechar o FOP

O candidato típico tem até 60 anos, infarto de padrão embólico, nenhuma outra causa após investigação completa, causalidade ao menos possível pelo PASCAL e nenhuma indicação de anticoagulação.

📖 Resumo — critérios (todos devem estar presentes)
  1. Idade ≤ 60 anos.
  2. Topografia embólica do infarto (não lacunar).
  3. Nenhuma outra fonte de AVC após avaliação abrangente.
  4. Causalidade possível, provável ou definida pelo PASCAL.
  5. Sem indicação concomitante de anticoagulação.

Na prática, com ≤ 60 anos e sem outra causa, o fechamento se justifica quando o RoPE é ≥ 7 e/ou há shunt grande ou ASA.

Recomendações do capítulo – Indicação de fechamento (parafraseadas)
Sugestão · Grau 2BUpToDate

Até 60 anos, sem indicação de anticoagulação e com AVC de causalidade possível, provável ou definida pelo PASCAL: fechamento percutâneo do FOP associado ao antiplaquetário.

Sugestão contra · Grau 2CUpToDate

Causalidade improvável pelo PASCAL: não fechar o FOP.

Sugestão contra · Grau 2CUpToDate

FOP que preenche critérios mas não é passível de fechamento percutâneo, sem outra indicação de cirurgia cardíaca: não fazer fechamento cirúrgico (anticoagulação prolongada pode ser considerada).

Quadro de estudo – Exceções e situações especiais
SituaçãoConduta resumida
Idade > 60 anosBenefício e segurança incertos (fora dos ensaios). Na maioria não se fecha; pode ser considerado em casos selecionados — perto dos 60, com pouca carga aterosclerótica e achados ecocardiográficos de alto risco —, com decisão individualizada.
Anticoagulação curta (≤ 1 ano), ex.: TEV provocadoAnticoagulação por 3–12 meses costuma bastar como antitrombótico; o fechamento, se indicado, pode ser adiado até o fim dela. Se o gatilho não deve se repetir, o fechamento não é obrigatório depois (pode ser considerado) e o antiplaquetário indefinido é razoável.
Anticoagulação longa (> 12 meses), ex.: TVP não provocada ou recorrenteBenefício do fechamento incerto; decisão multidisciplinar e compartilhada. Na maioria não se fecha; opção para quem tem AVC embólico recorrente sem outra causa mesmo bem anticoagulado, ou para quem deixou de anticoagular.
FA ou prótese valvarSão mecanismos de maior risco que o FOP; o FOP tende a ser achado incidental e não costuma mudar a conduta.
Indicação concomitante de cirurgia cardíaca (ex.: troca valvar)Fechamento cirúrgico do FOP é apropriado, se o paciente preenche os critérios.

Quadro de estudo montado a partir do texto e do algoritmo do capítulo (PDF p. 20–21).

O algoritmo e o fluxograma interativo de decisão estão na seção 6, logo depois da tabela PASCAL e da calculadora.

📖 Resumo — decisão informada

A decisão deve ser discutida pelo neurologista e pelo cardiologista com o paciente: redução do risco de AVC recorrente, risco muito pequeno de complicação grave do procedimento e aumento do risco de FA, de acordo com os valores do paciente.

Observação do capítulo: o PASCAL foi publicado (2021) depois do documento europeu de 2018, da política do NHS de 2019, da recomendação da AAN de 2020 e da diretriz AHA/ASA de 2021, que por isso não o incorporam.

Fonte: UpToDate “Stroke associated with PFO: Management”, seções Patient selection, Special considerations in anticoagulated patients e Informed decision-making; Algoritmo 1 — PDF p. 2–5, 15–17 e 20–21.

8A evidência: ensaios e meta-análises

Em pacientes selecionados até 60 anos, o fechamento reduz o AVC recorrente em cerca de 60% em relação ao tratamento clínico — de ~5% para ~2% em 3 a 6 anos (NNT ≈ 30). Os primeiros ensaios foram neutros; os posteriores, positivos.

Quadro de estudo – Ensaios randomizados de fechamento percutâneo
EnsaioPopulação e desenhoResultado principalDetalhe
CLOSURE I909 pacientes ≤ 60 anos, AVC ou AIT; dispositivo STARFlex; 2 anosNeutro: desfecho composto 5,5% vs 6,8% (HR 0,78)Mais complicações vasculares (3,2% vs 0) e FA (5,7% vs 0,7%); dispositivo saiu de linha e é excluído das meta-análises
PC414 pacientes < 60 anos (AVC, AIT ou embolia periférica); Amplatzer; ~4 anosNeutro: 3,4% vs 5,2% (HR 0,63)FA 2,9% vs 1,0% (não significativo)
RESPECT980 pacientes 18–60 anos; AmplatzerPrimária (2,6 anos) neutra: 1,8% vs 3,3% (HR 0,49); estendida (5,9 anos) positiva: HR 0,55Mais abandono e menor exposição no braço clínico. TEV após 30 dias mais frequente em quem tinha TVP prévia
REDUCE664 pacientes 18–59 anos, AVC embólico com shunt ao ETE; randomização 2:1; ~5 anosPositivo: AVC 1,8% vs 5,4% (HR 0,31)RM obrigatória: novos infartos (clínicos ou silenciosos) 4,7% vs 10,7% (RR 0,44)
CLOSE16–60 anos, com ASA ou shunt grande; 3 braços (fechamento, antiplaquetário, anticoagulação); ~5,3 anosPositivo: 0 AVC com fechamento vs 14 com antiplaquetário (HR 0,03)Anticoagulação vs antiplaquetário: 3 vs 7 AVC (HR 0,44, não significativo)

Quadro de estudo com os números do texto do capítulo. Detalhes de cada ensaio no PDF p. 7–8.

📖 Resumo — meta-análises
  • 2018 (PC, RESPECT estendido, REDUCE, CLOSE; 2.531 pacientes): AVC de 5,1% para 1,8% (redução absoluta 3,3%) — NNT ≈ 30. Outra meta-análise dos mesmos ensaios: 4,1% para 1,2% (redução absoluta 3,1%).
  • 2021, dados individuais (6 ECR, 3.740 pacientes): HR 0,41, com o ganho concentrado nos casos de causalidade provável/possível pelo PASCAL (seção 6).
  • Todas mostram mais FA nova no grupo fechamento.
📖 Resumo — por que os ensaios recentes deram certo e quais as limitações
  • Por que os recentes foram positivos: recrutaram quando o fechamento “fora de protocolo” já tinha diminuído; exigiram imagem confirmando o AVC; excluíram infartos lacunares; seguiram por mais tempo; e selecionaram FOP com shunt grande ou ASA.
  • Limitações: desfechos avaliados sem cegamento (o REDUCE atenua isso com RM); poucos eventos; seguimento curto nos primeiros; recrutamento lento, com suspeita de que pacientes de alto risco foram fechados fora dos estudos; quase só < 60 anos; AVC recente (em geral < 6 meses).
  • Acima de 60 anos, uma série observacional de 388 pacientes fechados teve 1,6 evento/100 pacientes-ano, menos que o previsto pelo RoPE (observado/esperado 0,31), mas com mais eventos e mais FA que os jovens.
  • Como o risco de AVC sob tratamento clínico é relativamente constante (1–1,5% ao ano), o benefício provavelmente persiste mesmo além de 6 meses do AVC, em pacientes bem selecionados.

Fonte: UpToDate “Stroke associated with PFO: Management”, seção Benefit — PDF p. 5–9.

9O procedimento: fechamento percutâneo e cirúrgico

O fechamento percutâneo é feito por via femoral, guiado por eco intracardíaco ou ETE. A complicação mais comum é a FA nova; as demais são raras. O fechamento cirúrgico fica para quem já tem outra indicação de cirurgia cardíaca.

📖 Resumo — antes do procedimento
  • Contraindicações: filtro de veia cava inferior, risco de sangramento elevado ou coagulopatia, anatomia vascular, cardíaca ou do FOP inadequada.
  • ETE pré-procedimento: confirmar que o shunt é por FOP; avaliar a anatomia do septo (bordas, comprimento do túnel, ASA, CIA associadas — se dá para fechar tudo com um ou dois dispositivos ou se é melhor cirurgia); excluir outras fontes (trombo, massa, vegetação).
📖 Resumo — passo a passo do fechamento percutâneo
  1. Acesso pela veia femoral direita; cruzar o FOP com fio-guia ou cateter sob fluoroscopia e eco (ETE ou intracardíaco).
  2. Fio-guia rígido posicionado numa veia pulmonar.
  3. Se usado, o balão de medida orienta o tamanho: dispositivo com cerca de 2 vezes o diâmetro estirado do defeito.
  4. Sistema de entrega lavado e aspirado (evitar embolia gasosa); abrir o disco esquerdo no AE, tracioná-lo contra o septo e então abrir o direito.
  5. Confirmar a posição ao eco, liberar o dispositivo e pesquisar shunt residual e complicações.

O eco intracardíaco costuma ser preferido porque dispensa intubação e anestesia geral (o procedimento é feito com sedação consciente). Antitrombóticos são usados antes, durante e depois; no CLOSE, por exemplo: clopidogrel 300 mg, heparina de baixo peso molecular ou manutenção do antiplaquetário antes, e heparina não fracionada 100 UI/kg (até 10.000 UI) durante o procedimento.

📖 Resumo — complicações
  • FA/flutter nova: a mais comum; aumento absoluto de cerca de 3,4% numa meta-análise. O impacto em longo prazo é pouco conhecido; manejo semelhante ao da FA após cirurgia cardíaca.
  • Raras: hematoma no acesso, migração ou embolização do dispositivo, erosão (0,2–0,3% nos dispositivos de CIA, sobretudo nos primeiros 6 meses; provavelmente mais rara no FOP — pode causar derrame, tamponamento ou fístula) e trombose do dispositivo, com possível AVC.
📖 Resumo — fechamento cirúrgico
  • Apropriado para quem tem até 60 anos, AVC associado ao FOP e indicação concomitante de cirurgia cardíaca (ex.: valvar), por técnica convencional, minimamente invasiva ou robótica.
  • Não há ensaios randomizados. Séries mostram 7–14% de eventos cerebrovasculares em 1–2 anos, provavelmente por outros mecanismos: em 91 pacientes operados, livres de evento em 93% em 1 ano e 83% em 4 anos, só AIT, com fechamento íntegro ao ETE.
  • FOP achado por acaso durante cirurgia em paciente de alto risco: fechá-lo pode aumentar o AVC perioperatório (2,8% vs 1,2%, OR 2,47, num estudo retrospectivo com mais de 13 mil adultos), sem diferença de sobrevida.

Fonte: UpToDate “Stroke associated with PFO: Management”, seções Percutaneous PFO closure e Surgical PFO closure — PDF p. 5 e 9–12.

10Antitrombóticos, prevenção e AVC recorrente

Todo paciente com AVC e FOP precisa de antitrombótico e de controle de fatores de risco, tenha ou não fechado o FOP. Na recorrência, primeiro se descobre o mecanismo.

Recomendações do capítulo – Antitrombótico e recorrência (parafraseadas)
Sugestão · Grau 2CUpToDate

Após o fechamento (percutâneo ou cirúrgico), sem indicação de anticoagulação: antiplaquetário de longo prazo, e não “nenhum tratamento” nem anticoagulação. Esquema do autor: AAS 75–81 mg/dia + clopidogrel 75 mg/dia por 3 meses, depois AAS isolado.

Sugestão · Grau 2CUpToDate

AVC associado ao FOP tratado com antiplaquetário, sem fechamento, que tem novo AVC embólico sem outra causa: fechar o FOP além do antitrombótico. Trocar de antiplaquetário ou passar para anticoagulante é alternativa razoável.

📖 Resumo — escolha do antitrombótico
  • Sem fechamento e sem indicação de anticoagulação: antiplaquetário em vez de anticoagulante, como no AVC criptogênico em geral.
  • Com indicação de anticoagulação (TVP/TEP, outro TEV, trombofilia, FA): anticoagular conforme a indicação, e a anticoagulação costuma ser o único antitrombótico.
  • Antes do fechamento: igual ao manejo agudo dos outros subtipos de AVC isquêmico.
  • Comparação anticoagulante × antiplaquetário: meta-análise de 12 estudos observacionais (2.385 pacientes) sem diferença (AVC 4% vs 5%); meta-análise de 6 ECR (PICSS, CLOSE, NAVIGATE ESUS, RESPECT ESUS, ATTICUS e um estudo chinês com dabigatrana) com menos AVC sob anticoagulação (RR 0,59), mas com poucos eventos e intervalo de confiança largo.
📖 Resumo — prevenção geral
  • Todas as medidas de prevenção secundária: estilo de vida (dieta, exercício, parar de fumar, moderar o álcool), controle da pressão e estatina se indicada.
  • Como os êmbolos vêm sobretudo das veias das pernas: evitar ficar muito tempo sentado com joelhos dobrados e pernas pendentes ou cruzadas, e evitar ficar parado em pé por muito tempo.
  • Viagens longas com fatores de risco para TEV: caminhar com frequência, exercícios de panturrilha, hidratação, evitar sedativos e usar meia de compressão graduada — sobretudo em quem teve TVP no evento inicial.
Quadro de estudo – AVC recorrente em paciente com FOP
CenárioConduta resumida
Qualquer recorrênciaReavaliação completa do mecanismo: cardioembolia, aterosclerose de grande artéria, doença de pequenos vasos e outras causas podem ocorrer com ou sem FOP fechado.
FOP já fechadoAvaliar o dispositivo: trombo, shunt residual e defeitos. Lembrar da FA (risco maior nas primeiras semanas após o implante).
FOP não fechado e ainda a causa mais provávelFechar o FOP.
FOP fechado e novo AVC embólico de fonte indeterminadaAnticoagulação empírica é opção razoável.
Trombo no dispositivoAnticoagular; embolia recorrente nesse cenário pode exigir retirada cirúrgica do dispositivo com fechamento do defeito.

Quadro de estudo montado a partir do texto.

Fonte: UpToDate “Stroke associated with PFO: Management”, seções General management e Recurrent ischemic stroke — PDF p. 12–15 e 17–18.

📌O FOP em 2 minutos

  1. Comum: 25–30% da população; achá-lo não prova causalidade.
  2. Mecanismo: embolia paradoxal por shunt direita→esquerda transitório (tosse, Valsalva).
  3. Quando procurar: AVC/embolia sem causa e platipneia-ortodeoxia; não rastrear na enxaqueca.
  4. Como: ETT com microbolhas primeiro (repouso, tosse, soltar Valsalva); ETE se negativo ou não diagnóstico; DTC detecta, mas não localiza.
  5. Microbolhas: ≥ 3 bolhas à esquerda em até 3 batimentos = intracardíaco; tardio = pulmonar.
  6. Causalidade: RoPE (0–10) + shunt grande/ASA = PASCAL improvável, possível ou provável.
  7. Fechar: ≤ 60 anos, infarto embólico, sem outra causa, PASCAL ≥ possível e sem anticoagulação (Grau 2B).
  8. Não fechar: PASCAL improvável; FOP incidental; > 60 anos só em casos selecionados.
  9. Benefício: AVC ~5% → ~2% em 3–6 anos (NNT ≈ 30); custo: mais FA (~3,4% absoluto).
  10. Depois: AAS + clopidogrel por 3 meses e AAS por tempo indeterminado; sem fechamento, antiplaquetário.

🎯Treino e desempenho

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Modo prova

Casos sorteados de todas as seções. A correção só aparece no fim.

Revisão das erradas

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Por seção

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📊 Desempenho por tema

🎓Desafio final — 10 casos integradores

Casos que cruzam diagnóstico, causalidade, indicação de fechamento, antitrombótico e situações especiais no mesmo paciente.

Continuar de onde parou: